sábado, 11 de julho de 2015

Escola por Paulo Freire

Escola

o lugar onde se faz amigos,
não se trata só de prédios, salas, quadros,
programas, horários, conceitos
escola é, sobretudo, gente, gente que trabalha, que estuda,
o coordenador é gente, o professor é gente,
o aluno é gente, que se alegra, se conhece, se estima.
O diretor é gente, cada funcionário é gente.
E a escola será cada vez melhor na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Nada de “ilha cercada de gente por todos os lados”.
Nada de conviver com as pessoas e depois descobrir que
não tem amizade a ninguém, nada de ser como o
tijolo que forma a parede, indiferente, frio, só.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade, é criar ambiente de camaradagem,
é conviver, é se “amarrar nela”!
Ora, é lógico…
numa escola assim vai ser fácil estudar, trabalhar, crescer,
fazer amigos, educar-se, ser feliz!

Paulo Freire

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Egoísmo Educação Liberdade

Coerência e visão correta da realidade é a maneira como compreendo as reflexões de um grande mestre que propõe uma mudança na educação, para mudarmos o mundo.

Compartilho uma entrevista de 5 minutos, para que possamos nos aproximar dos pensamentos do educador, terapeuta e psiquiatra Claudio Naranjo
Vale à pena conferir!!!




https://www.youtube.com/watch?v=uftKhIHJ0-shttps video


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Brasil, penúltimo lugar em educação.

No dia 27 de Novembro de 2012, a BBC Brasil publicou uma matéria sobre  o panorama da educação no mundo.Confesso que senti um nó na garganta quando descobri a posição do ranking do Brasil. Temos urgência em fortalecer a educação no nosso país, para tanto, precisamos de profissionais bem formados, competentes, atualizados e, principalmente de grande investimento na educação por parte do governo e também da iniciativa privada. Entretanto, o reflexo da mudança não é imediato. Por isto, acredito no aprimoramento profissional constante. No investimento alto para o desenvolvimento pessoal do educador, e na qualidade da educação do berçário à Universidade.  
Desejo ver o Brasil entre as super potências da Educação do mundo. Porém, a realidade ainda é bem diferente, infelizmente, como mostra a pesquisa divulgada abaixo.
Brasil fica em penúltimo lugar em ranking global de educação
O Brasil ficou em penúltimo lugar em um ranking global de educação que comparou 40 países levando em conta notas de testes e qualidade de professores, dentre outros fatores.
A pesquisa foi encomendada à consultoria britânica EIU (Economist Intelligence Unit), pela Pearson, empresa que fabrica sistemas de aprendizado e vende seus produtos a vários países.
Em primeiro lugar está a Finlândia, seguida da Coreia do Sul e de Hong Kong.
Os 40 países foram divididos em cinco grandes grupos de acordo com os resultados. Ao lado do Brasil, mais seis nações foram incluídas na lista dos piores sistemas de educação do mundo: Turquia, Argentina, Colômbia, Tailândia, México e Indonésia, país do sudeste asiático que figura na última posição.
Os resultados foram compilados a partir de notas de testes efetuados por estudantes desses países entre 2006 e 2010. Além disso, critérios como a quantidade de alunos que ingressam na universidade também foram empregados.
Para Michael Barber, consultor-chefe da Pearson, as nações que figuram no topo da lista valorizam seus professores e colocam em prática uma cultura de boa educação.
Ele diz que no passado muitos países temiam os rankings internacionais de comparação e que alguns líderes se preocupavam mais com o impacto negativo das pesquisas na mídia, deixando de lado a oportunidade de introduzir novas políticas a partir dos resultados.
Dez anos atrás, no entanto, quando pesquisas do tipo começaram a ser divulgadas sistematicamente, esta cultura mudou, avalia Barber.
"A Alemanha, por exemplo, se viu muito mais abaixo nos primeiros rankings Pisa [sistema de avaliação europeu] do que esperava. O resultado foi um profundo debate nacional sobre o sistema educacional, sérias análises das falhas e aí políticas novas em resposta aos desafios que foram identificados. Uma década depois, o progresso da Alemanha rumo ao topo dos rankings é visível para todos".
No ranking da EIU-Person, por exemplo, os alemães figuram em 15º lugar. Em comparação, a Grã-Bretanha fica em 6º, seguida da Holanda, Nova Zelândia, Suíça, Canadá, Irlanda, Dinamarca, Austrália e Polônia.
CULTURA E IMPACTOS ECONÔMICOS
Tidas como "super potências" da educação, a Finlândia e a Coreia do Sul dominam o ranking, e na sequência figura uma lista de destaques asiáticos, como Hong Kong, Japão e Cingapura.
Alemanha, Estados Unidos e França estão em grupo intermediário, e Brasil, México e Indonésia integram os mais baixos.
O ranking é baseado em testes efetuados em áreas como matemática, ciências e habilidades linguísticas a cada três ou quatro anos, e por isso apresentam um cenário com um atraso estatístico frente à realidade atual.
Mas o objetivo é fornecer uma visão multidimensional do desempenho escolar nessas nações, e criar um banco de dados que a Pearson chama de "Curva do Aprendizado".
Ao analisar os sistemas educacionais bem-sucedidos, o estudo concluiu que investimentos são importantes, mas não tanto quanto manter uma verdadeira "cultura" nacional de aprendizado, que valoriza professores, escolas e a educação como um todo.
Daí o alto desempenho das nações asiáticas no ranking.
Nesses países o estudo tem um distinto grau de importância na sociedade e as expectativas que os pais têm dos filhos são muito altas.
Comparando a Finlândia e a Coreia do Sul, por exemplo, vê-se enormes diferenças entre os dois países, mas um "valor moral" concedido à educação muito parecido.
O relatório destaca ainda a importância de empregar professores de alta qualidade, a necessidade de encontrar maneiras de recrutá-los e o pagamento de bons salários.
Há ainda menções às consequências econômicas diretas dos sistemas educacionais de alto e baixo desempenho, sobretudo em uma economia globalizada baseada em habilidades profissionais.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Educando o olhar da Observação

Em 2003, tive a oportunidade de fazer parte do grupo de formação de educadores da Prof. Madalena Freire, para quem não sabe, filha de Paulo Freire. Tive a  Felicidade de conviver com uma grande mulher que inspira e transpira o conhecimento na prática, no cotidiano.  Vivenciei a construção do conhecimento a partir da afetividade, da vida em grupo, da escuta, do olhar, do intuir, do falar e escrever com a essência do coração. Experiência reveladora e transformadora, que instiga e provoca até os dias de hoje o caminhar constante para o meu desenvolvimento.
Tenho assim, a prática da reflexão de ser docente, de ser psicóloga, de buscar ser coerente nas minhas ações... Para tanto, passei a utilizar uma ferramenta poderosa e simples: A observação e o registro. O planejamento, o registro e a avaliação, estão entrelaçados pelo ato do Observar e, segundo Madalena Freire, "temos que educar o olhar da Observação".
Observar é a ação que precisa ser aprendida. No entanto, nem sempre a nossa capacidade de observar está suficientemente desenvolvida.
Madalena Freire, escreveu sobre a Aprendizagem do Olhar, da seguinte maneira:
" Não fomos educados para olhar pensando o mundo, a realidade, nós mesmos. Nosso olhar cristalizado nos estereótipos produziu em nós paralisia, fatalismo, cegueira.
Para romper esse modelo autoritário, a observação é a ferramenta básica neste aprendizado da construção do olhar sensível e pensante.
Olhar que envolve ATENÇÃO e PRESENÇA. Atenção que segundo “Simone Weil” é a mais alta forma de generosidade. Atenção que envolve sintonia consigo mesmo, com o grupo. Concentração do olhar inclui escuta de silêncios e ruídos na comunicação.
O ver e o escutar fazem parte do processo da construção desse olhar. Também não fomos educados para a escuta. Em geral não ouvimos o que o outro fala mas sim o que gostaríamos de ouvir. Neste sentido imaginamos o que o outro estaria falando... Não partimos de sua fala, mas de nossa fala interna. Reproduzimos desse modo o monólogo que nos ensinaram.
O mesmo acontece em relação ao nosso olhar estereotipado, parado, querendo ver só o que nos agrada, o que sabemos, também reproduzindo um olhar de monólogo. Um olhar e uma escuta dessintonizada, alienada da realidade do grupo. Buscando ver e escutar não o grupo ( ou o educando) real, mas o que temos na nossa imaginação, fantasia – a criança do livro, o grupo idealizado.
Ver o ouvir demanda implicação, entrega ao outro.
Estar aberto para vê-lo e/ou ouvi-lo como é, no que diz, partindo de suas hipóteses, de seu pensar. É buscar a sintonia com o ritmo do outro, do grupo, adequando em harmonia ao nosso.
Para tanto, também necessitamos estar concentrados com nosso ritmo interno. A ação de olhar e escutar é um sair de si para ver o outro e a realidade segundo seus próprios pontos de vista, segundo sua história.
Só podemos olhar o outro e sua história se temos conosco mesmo uma abertura de aprendiz que se observa (se estuda) em sua própria história." 

Aprendi muito com a coordenação atenta e presente da Prof. Madalena Freire, a ela dedico a minha eterna gratidão. 

Renata Càlíxto

sexta-feira, 20 de julho de 2012

A importância do encontro

Para o incrível teórico chileno, Humberto Maturana, "somos seres geneticamente sociais. Somos dotados de um altruísmo biológico natural, manifestado em nossa necessidade de fazer parte de grupos humanos e de operar em consenso com eles em nossa organização social. E como humanos, somos dotados de uma faculdade reflexiva consciente, que nos dá o poder de transformar o mundo de que dispomos. E é na relação com o outro, quando ocorre o encontro, que se dá a criação e recriação do ser humano em sua ação transformadora do mundo."
Assim, ao indagar sobre a importância da ação transformadora que ocorre a partir de um encontro verdadeiro ou, que deveria ocorrer tanto na relação educador-educando, quanto no processo de “cura” para as dores da alma..., refleti sobre a importância do olhar mais sensível ao outro.  Olhar em direção ao olhar do outro, para se conectar com a sua essência, para aceitar o outro como ele é... e, delicadamente estabelecer o encontro para o processo de transformação.
Quando praticamos a escuta, aquela que nos aproxima da realidade do nosso interlocutor, conseguimos ser mais empáticos. A escuta nos transporta para que nos coloquemos no lugar do outro e, é no deslocar-se para o outro que conseguimos a abertura para compreender e ajudar sem julgar, criticar ou rotular.  É no ato amoroso da compreensão que se dá a transformação e o entendimento da natureza interior.
O verdadeiro encontro, sem dúvida nenhuma, provoca transformação, e isto, está ao alcance do ser humano, portanto deverá estar a serviço da evolução da vida. Assim, a prática do diálogo reflexivo, esclarece as nossas questões interiores, as nossas inquietações e, nos conduz para o caminho do desenvolvimento interior. 
E para retratar a alquimia disto tudo, nada melhor que as sábias palavras de Carl Gustav Jung

O encontro de duas personalidades, assemelha-se ao contato de duas substâncias químicas: se alguma reação ocorre, ambos sofrem uma transformação.”
                                                                  Um abraço, Renata Calixto

quarta-feira, 6 de junho de 2012

O "olhar" sensível do coração.

Faz alguns dias que um  provérbio não sai da minha cabeça, e isto, tem a ver com algumas tomadas de decisões, do qual a direção se deu pelo centro de inteligência do meu coração. O provérbio diz o seguinte: 

"Observe atentamente o caminho que seu coração aponta e escolha esse caminho com todas as forças."

Seguir o "olhar" sensível do coração para as situações que a vida apresenta,   requer aprofundar os alicerces dos pilares da  auto-confiança, auto-respeito, auto-valorização e auto-realização. 
Quando li o texto, O Piano, de autoria desconhecida veiculado na internet, enxerguei  um "encontro amoroso e verdadeiro", do qual o olhar sensível do coração fortaleceu as estruturas dos alicerces da Confiança, do Respeito, do Valor e da Realização Pessoal. Alicerces que fundamentam os passos de nossas escolhas e decisões durante toda a vida. Porém, sem o olhar, o escutar e o falar do coração não conseguiremos nos transformar e provocar transformações. 
Aí vai a história:
O piano
"Com o desejo de encorajar seu filho a estudar piano, a mãe levou o menino a um concerto de Paderewski, famoso compositor polonês. Depois de terem se sentado, a mãe reconheceu uma amiga na platéia e caminhou em sua direção. Aproveitando a oportunidade para explorar as maravilhas de uma sala de concertos, o garoto se levantou e foi em direção a uma porta, sobre a qual estava escrito: “Não entre”.
Quando as luzes da sala começaram a escurecer e o concerto estava para começar, a mãe retornou a seu assento e descobriu que seu filho tinha desaparecido. De repente, as cortinas se abriram e as luzes focalizaram, sobre o palco, o impressionante piano Steinway. Horrorizada, a mãe viu o pequeno sentado na frente do teclado, inocentemente tocando algumas notas de uma canção infantil.                                           
Nesse momento, o grande mestre do piano entrou no palco e rapidamente se dirigiu ao piano, sussurrando nos ouvidos do menino: “Não pare. Continue tocando”. 
Então, inclinando-se, Paderewski colocou a mão esquerda sobre o teclado e passou a complementar a melodia simples, com uma harmonia. Em seguida, a sua mão direita, contornando o outro lado do menino, adicionou um obbligato rápido. Juntos, o velho mestre e o jovem aprendiz transformaram uma situação amedrontadora numa experiência criativa, magnífica. E o público ficou encantado.
Seja qual for a nossa situação na vida — não importa quão opressiva, desesperada, aparentemente inútil —, seja até a nossa “noite escura da alma”, uma voz sussurra bem dentro de nosso ser: “Não pare. Continue tocando. Você não está só. Juntos, vamos transformar esses padrões desconectados numa obra de arte do espírito criativo. Juntos, iremos encantar o mundo com a nossa canção”.  

Acredito que todos nós temos uma canção pessoal para encantar o mundo, por isto confie na voz do seu coração. Um forte abraço, Renata.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

A transformação ocorre de dentro para fora...

Por acreditar, que o verdadeiro sentido da existência é a busca pela Paz e Felicidade, tornei-me uma estudiosa do tema relacionado à Cultura de Paz e Educação em Valores.
Acredito no despertar do melhor que existe em cada pessoa e isso nada mais é que o despertar do potencial ético. No potencial de reconhecer que o quê é certo é certo e o quê é errado é errado.
Aposto na educação em valores como meio que permeia o psicológico e o pedagógico para ocorrer à transformação de dentro para fora em cada indivíduo, pois assim, dar-se-á o refletir das ações.   
Mas podemos refletir melhor sobre a definição de Valores, a partir das palavras iluminadas de Dadi Janki da Organização Brahma Kumaris:

“Nossos valores guiam nossos pensamentos e nossos pensamentos são as sementes de nossas palavras e ações. Isso é tão importante que cada um deveria perguntar-se: quais são os meus valores na vida?”

Sendo assim, é importante rever sempre os nossos valores na vida. No caso do educador que se torna uma referência para as crianças, não poderá falar de Amor sem vibrar amor, não poderá falar de resolução de conflitos, se tiver uma ação de violência, sem deixar de ser manso em suas palavras e coerente em sua postura. Os valores precisam ser vivenciados, absorvidos e internalizados. O exercício do diálogo, da ação correta e não violenta, do olhar amoroso e da palavra pacífica devem estar presentes ao redor da vida da criança, como o ar que respira. Por isto, é fundamental tecer uma parceria com as famílias para o sucesso do desenvolvimento do trabalho e, assim, conhecer o seu funcionamento.
É no espaço familiar que os valores deveriam ser internalizados, mas por diversos motivos esta função foi repassada por algumas famílias para o ambiente institucional. Portanto, há de se considerar que, quando um faltar, o outro possa estar firme, para servir de referência estruturante para a criança.
Desenvolver uma pedagogia em Valores é enriquecedor, pois todos os atores são beneficiados. A criança ensina ao aprender, o educador se torna agente de mudança ao se transformar, a comunidade institucional absorve novos valores de convivência e a família ao observar a mudança de seus filhos, descobre novas habilidades ao se relacionar.  E como resultado, colaboramos para a construção de um mundo mais pacífico.                                                      Um abraço, Renata.